Bonjour, mes enfants obscurs
No domingo estive percorrendo algumas praias menos badaladas de Floripa e numa delas, numa ruela das mais acanhadas, a caminho de um restaurante no topo de um morro que dá de frente para a Barra da Lagoa, me deparei com um brechó. Uma casinha açoriana com algumas araras repletas de roupas para todos os gostos. Saí de lá feliz, com uma linda blusa de crochê e outra vermelha em estilo cigano, e pensando: “Quem diria que eu encontraria isso por aqui?”. Total das compras: 20,00 – por peças que eu não pagaria menos de 50 individualmente fora dali.
O brasileiro em geral não possui o hábito de visitar brechós. É a mania de querer usar sempre roupas novas, da moda, o costume de “parecer” mais do que “ser”. Brechós são cults e com um pouco de disposição é possível encontrar peças incríveis neles, saídas do baú do tempo direto para o presente. Com toda essa onde de releituras de peças antigas, desde o século XIX até as décadas de 60 e 70, brechós são uma excelente e pouco custosa maneira de se manter bem-vestido. Para os que não seguem as tendências dominantes da moda, são também uma alternativa de elegância, onde você pode criar um estilo absolutamente seu sem pagar um décimo do que pagaria numa loja de shopping.
Com o advento da internet, é possível acessar brechós online. Muitos deles operam como blogs ou em servidores de imagens como o Flickr, oferecendo uma gama absurda de produtos. Você pode trocar roupas, calçados e acessórios que já não usa mais por outros itens sem grandes problemas. Como eu estava lendo a revista Gloss (que só comprei por conta de um editorial de moda sobre estampas para gordinhas!), fiquei curiosa acerca de uma marca que aparecia com freqüência nas fotos, a brechó Juisi by Licquor, e fui procurá-la na internet. Para minha surpresa, descobri um brechó com lindas peças das décadas de 50, 60 e 70, que me deixaram boquiaberta. A marca se dedica à filosofia do vintage de segunda mão, que é bastante difundida em vários países e adotada como uma forma de sustentabilidade dentro da moda (reutilizando roupas, precisamos produzir menos delas e poupamos o planeta, especialmente dos tecidos sintéticos…)
Endereço do Brechó Juisi By Licquor = http://juisi.blogspot.com/
Procure também visitar os links que estão disponíveis na página deles e se informe mais sobre esses assuntos.
EM BREVE: cuidados ao escolher uma peça de brechó
Au Revoir
Bonjour
O artigo que se segue é uma miscelânea de experiências individuais acumuladas com uma excelente matéria da revista Morbid Outlook.
****
Não é de hoje que os corsets têm se tornado uma espécie de must have na cena gótica internacional. Sua valorização no Brasil é relativamente recente e, infelizmente (pelo menos para mim), a coisa está até mesmo estrapolando: é possível ver figurinhas como Sabrina Sato desfilando por aí de corset, com roupas de gosto altamente duvidoso. Mas esse não é o mérito da questão.
Para você que vai comprar seu primeiro corset, é interessante saber de algumas coisas.
1. Corset x corpete
Apesar de ser estruturado e ter costuras reforçadas, o tradicional corpete de tafetá de formandas está longe de ser similar ao corset. O corset é uma peça rígida, resistente, construída através do uso de entretela e várias camadas de tecido. Sua compressão se deve tanto a esses materiais quanto ao posicionamento das barbatanas, geralmente feitas de aço flat. A finalidade do corset é estética: sua compressão constante acaba por deslocar para dentro as costelas flutuantes e, a longo prazo, altera a silhueta. Coisas que um corpete não faz.
2. Corset mata?
Já matou, cof cof cof. Há, na literatura jornalística, relatos de mulheres que perderam suas vidas com perfurações de órgãos por excesso de compressão do corset, mas, em se tratando de jornais dos séculos passados, os tablóides de hoje são até bastante fiéis à realidade… As modelagens de corsets antigos eram bastante diferentes das de hoje, que buscam aliar conforto à elegância. Se você passar 24h de corset, isso certamente afetará sua saúde de alguma maneira. Eu já experimentei passar 18h com o meu bem apertado e no final do dia não estava me sentindo exatamente bem; é algo a não ser repetido.
3. Tamanho
Queridos, corsets não vêm de fábrica com uma etiqueta informando o manequim. O ideal é correr de modelos vendidos prontos. Um bom corset TEM que ser feito sob medida para que seu efeito seja bom e não prejudique sua saúde. Vale mais a pena poupar por alguns meses do que arriscar comprando um de segunda mão, a menos que suas medidas sejam praticamente as mesmas da pessoa que está vendendo, o que ainda assim eu não aconselho.
4. Tipos de corset
Há 4 tipos globais de corset:
OVERBUSTS
Modelo que cobre o busto. Pouquíssimo aconselhado para a prática de Tight Lacing.
UNDERBUST
O mais versátil entre os modelos, possibilitando infinitas combinações. Dependendo do tecido, pode ser utilizado para a prática de Tight Lacing.
WAIST CINCHER
Modelo de foca exclusivamente a área de cintura. Sendo menor, é também mais confortável para a prática de Tight Lacing. Alguns grifes disponibilizam esse modelo em tela 100% algodão.
Em cima desses 4 modelos globais, há variações: vitorianos, edwardianos, barrocos, era Tudor, rococó…Mas isso fica para depois.
DOS CUIDADOS COM O CORSET
Agora que você já escolheu sua corsetière e já tem seu corset em mãos, é preciso tomar alguns cuidados de conservação com ele.
Após usar o corset, deixe-o sobre uma cadeira ou mesa, longe do sol, para arejar. Lavagens freqüentes não são lá muito recomendadas, por iso evite usar o corset diretamente contra a pele.
Se o seu corset for feito em verniz ou vinil, limpe-o apenas com um pano LEVEMENTE umedecido COM ÁGUA e deixe para secar. Estes corsets devem ser armazenados com ainda mais cuidado, devido à tendência que estes materiais têm de arranhar e ficar terrivelmente marcados (botas que o digam!)
PARA ARMAZENAR O CORSET, é interessante que eles fiquem acondicionados em embalagens individuais. A maioria das corsetières brasileira envia suas peças em saquinhos plásticos, mas, assim que você adquirir o seu, é interessante providenciar um saquinho de tecido. Nunca esqueça de tirar seus corsets para pegar um ar mesmo que você não os use com tanta freqüência quanto gostaria.
ALGUNS CUIDADOS DE SAÚDE
Se você tem problemas de coluna, fale com um ortopedista antes de iniciar o TL e leve a peça para que ele dê uma olhada. Eles não sabem muito bem do que se trata. Em casos como o meu, de lordose e escoliose leves, o corset funciona quase como um colete: minha coluna fica perfeita quanto estou com ele.
Quando estiver usando o corset, evite bebidas gaseificadas e alcóolicas em geral. Se for ingeri-las, faça-o devagar e sempre tomando o cuidado de liberar o gás que se acumula no estômago. Apenas seja discreta. Também evite alimentos muito gordurosos e a orgias de carboidratos. Sob esse ponto de vista, o corset pode mesmo ajudar a eliminar alguns quilinhos ao criar hábitos alimentares mais saudáveis.
Não aconselho o uso de corset durante o período menstrual ou a TPM. Acumulamos muito líquido nesses períodos e a prática de TL pode ser desconfortável para algumas.
Quanto a ingerir bebidas alcóolicas de corset, isso é um ponto de vista bastante pessoal. Quem tem problemas com enjôo pós-farra deve evitar ao máximo.
CORSETIERES/CORSETMAKERS NO BRASIL
Considerando que não cabe a mim dizer qual corsetière você deve ou não escolher, segue abaixo uma pequena lista dos fabricantes que você pode consultar:
Mme Sher Corsets – SP
http://www.madamesher.com/
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3532855
Black Cat Corsets – SP
http://www.blackcatcorsets.com/
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1427970
Luxury F – SP
www.luxury-f.com
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18643946
L’ange Noir Corsets – SP
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=19787071
GINGER CORSETS (Ginger) – SP
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=15215161520746531904
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=18211959
KISS ME CORSETS (Agnes Roberta) – SP
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=21064782
http://www.fotolog.com/agnesroberta
Only for Ladies (Patricia Cody) - SP (Santos)
www.onlyforladiescorsets.com.br
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=34088884
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=11815169278312120663
Madame Rouse – RJ volta redonda
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=5155733369616080080
MATA HARI Nova Iguaçu – RJ
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=7707587614838164159
Marcelo Lima
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8844076612225824329
http://tightlacing.blogspot.com/2007/03/desenho-exclusivo-de-um-corset-quem.html
Belle Fleur BA
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=10141096986087390857
Carla – MG
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=8665156481991543250
Juno Corsets
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=16034352653614088942
Sorcière Corsets
e-mail para contato
valeriasorciere@yahoo.com.br
After Dark Corsets
Situada em Porto Alegre – RS
Bonjour, mes enfants obscurs
Sinto-me quase obrigada a fazer este post depois de voltar a varrer o orkut em busca d@ perfeit@ candidat@ a Foto da Semana. Ignorando o fato de que a criatividade é um opcional de fábrica em franca extinção no meio orkutiano, tem outra coisa que me preocupa. E não só a mim, caso contrário não haveria mais de uma comunidade tentando combater a imagem de mulher objeto que se criou em torno da estética gótica feminina.
Passe por qualquer álbum e, não importa quão jovem seja a mocinha em questão, lá haverá um foto sexy. Agora eu lhes pergunto: qual a razão para isso, posto que estas mesmas pessoas criticam a vulgaridade e a reificação das funkeiras, pagodeiras e afins?
O que a maioria das mulheres ainda não conseguiu perceber, especialmente em termos de Brasil (onde há uma espécie de culto à vulgaridade como valor nacional), é que há uma linha muito tênue entre sensualidade e vulgaridade, que, obviamente, passa pelos valores pessoais individuais. Não há nada de pecaminoso ou censurável num decote bem escolhido ou numa saia um pouco mais curta, desde que essa escolha respeite o ambiente e não venha acompanhada de um postura “me devore”. E isso é o que mais se vê.
É necessário que as mulheres do meio goth/metal percebam que a sociedade já criou na mente determinadas imagens carregadas de um significado sexual: couro, vinil, cinta-liga, espartilho, meia arrastão, rendas, preto e vermelho, saltos saltos de bico fino evocam sexualidade. Pior, evocam, não raras vezes, um jogo de dominação e submissão. Brincar com esses símbolos é até saudável e uma forma de desafiar padrões culturais, mas não podemos nos esquecer que vivemos em sociedade e não podemos prescindir dela. Mesmo aqueles que desafiam a sociedade carregam consigo uma série de preconceitos; basta ver como ainda há uma forte misoginia e homofobia no meio do metal.
Para completar, basta procurar no Google sites sobre beleza gótica ou sensualidade gótica e você verá uma profusão de páginas com pornografia da pior qualidade, promovendo uma imagem feminina estereotipada que acaba “vazando para a vida real”. Quantas vezes alguma de nós já não teve problemas com os “caçadores de góticas” do orkut e suas cantadas de péssima qualidade? Eles só existem porque há mulheres que se sentem lisonjeadas e satisfeitas com esse tipo de coisa.
Em tempos de reificação do ser humano, após a onda oitentista de transformar sexo em mercadoria, é de se estranhar que pessoas que se dizem tão diferentes de todos, que contestam os valores da sociedade, que se querem à parte dela, ajam exatamente de acordo com o que é uma norma não escrita da nossa geração: a liberação de tudo. Sexo sempre existiu e não houve Igreja (ou falta de banho) que arrancasse o tesão inerente à humanidade. Idem para sacanagens e perversões. Mas, como no final do Império Romano, nós estamos nos superando na super-exposição do sexo, só que com um agravo: nós temos meios de comunicação de massa.
Como alguém que aspira a ser uma dama e acredita que classe é algo inato, e jamais disponível nem mesmo nas lojas mais chiques do planeta, eu acredito, e com grande convicção, que é possível ser sensual sem ser vulgar e que sexo é um assunto PRIVADO, ou seja, não deve ser trazido para a esfera pública de forma alguma. Insinuar é uma coisa, apresentar abertamente é outra. Hipocrisia? Até pode ser. No meu mundo, vale mais a arte de inspirar a imaginação do outro até o limite do auto-controle. Aí é que reside a verdadeira arte da sedução, não na exposição desnecessária e na coisificação do corpo e da sensualidade. Mas claro, isso é uma questão de opinião e, talvez, de maturidade. A mulher madura, consciente da sacralidade do seu próprio corpo, que respeita a si mesma em primeiro lugar, sabe que é sedutora mesmo vestindo um pijama amarelo masculino três manequins acima do seu (veja “A Condessa de Hong Kong”, com Sophia Loren).
Pensem nisso, meninas. Fiquem à vontade para me execrar, mas pensem nisso. Cada vez que vejo meninas de 12, 13 anos, minhas alunas, com fotos sensuais no orkut, me pergunto que valores nós estamos permitindo que nossos filhos adquiram. Se já está assim agora, como será daqui a 10 anos? As feministas lutaram tanto para que valêssemos mais que o nosso sexo, mais que os filhos que poderíamos produzir, para que agora o sexo, ou a promessa dele, seja a única coisa que uma jovem mulher se considera pronta a oferecer. Lastimável, para não dizer patético.
Au Revoir
Bonsoir, mes enfants obscurs
Acabo de perceber que este será meu terceiro post seguido no departamento de acessórios. Devo estar em algum tipo de conjunção astral favorável.
Bem, tanto jóias quanto bijuterias merecem um certo cuidado na hora de ser armazenadas. Quando eu era criança, lembro que havia uma escadinhas coloridas, cujos degraus vinham furados e bem espaçados, com a única finalidade de receber brincos – que naquele tempo tinham todas as cores do arco-íris e formatos como sandálias, balas, fantasminhas… Também lembro (e acredito que todos lembramos) daquelas lindas caixinhas de música forradas com veludo, geralmente vermelho, onde havia uma bailarina a rodopiar ao som de alguma melodia que não conhecíamos, mas gostávamos. Era assim que costumávamos guardar nossos “penduricalhos”.
No entanto, passada a infância, para garantir uma vida útil maior para nossas jóias e/ou bijuterias,há uma série de cuidados a serem tomados.
Colares e brincos jamais ser misturados. Após o uso, todas as peças devem ser limpas antes de serem guardadas.
É altamente aconselhável, se você usa caixinhas de madeira ou latas metálicas, que as peças sejam guardadas individualmente, naqueles saquinhos que são vendidos nas próprias lojas que vendem materiais para bijuterias. Isso garante que as peças não fiquem soltas e que, num descuido ou na pressa, se enrosquem e acabem danificando umas às outras.
Materiais que usam correntes niqueladas requerem atenção redobrada. Para manter o brilho por mais tempo, você pode aplicar uma camada de esmalte incolor. Esse truque serve também para os alérgicos; antes de usar o brinco, passe uma generosa camada no gancho, deixe secar e use normalmente. Deve ser repetido sempre que necessário.
Gargantilhas (sempre elas) devem ser guardadas estendidas para evitar que deformem.
Uma dica bastante interessante que vi no Yahoo! Respostas é a idéia de uma moça que construiu um suporte para seus colares longos a partir de um suporte de telas com aqueles ganchinhos que se usam em porta-chaves. Se você tem habilidades manuais, vá em frente.
É possível encontrar um bom número de adoráveis caixinhas de madeira com divisórias internas em lojas de artesanato. Além de manter suas peças a salvo, enfeitam o ambiente.
AGORA SÓ PARA MATAR AS SAUDADES…
Bonjour, mes enfants obscurs
Já que o assunto das gargantilhas se propôs no post passado, vamos alimentá-lo.
No meio goth ou metaller, gargantilhas são um acessório bastante comum especialmente entre as mulheres, mas também entre aqueles que buscam um look andrógino. No entanto, como com qualquer acessório, há alguns cuidados que devem ser tomados na hora de escolher e vestir sua gargantilha.
Em primeiro lugar a largura e o comprimento. Pessoas que, como eu, não foram abençoadas com um pescoço longo e fino não podem optar por gargantilhas longas e muito grossas, daquelas que cobrem o pescoço e boa parte do colo, sob pena de ficarem “achatadas”. É interessante, em caso dos pescocinhos mais largos e menores, que as gargantilhas tenham uma largura mediana e venham acompanhadas de um decote mais ou menos generoso. Outra saída é usar o modelo e gargantilha que fica na base do pescoço, ao invés das “coleirinhas”, e dar preferência às que tiverem algum tipo de pingente longo, que vai alongar a silhueta.
Para os pescocinhos longos e finos, as gargantilhas estreitas podem ser usadas com decotes um pouco mais altos, mas as longas, via de regra, devem ser usadas com algum tipo de decote mais fundo.
A gargantilha é uma peça que valoriza o colo e a sensualidade feminina. Em lojas que trabalham com artigos de rock, é possível encontrar toneladas das famosas coleiras, feitas em couro e com 1kg de correntes penduradas. Meu conselho é que você procure algo mais versátil e que não tenha seu uso restrito ao próximo show do Rotting Christ ou afins…afinal, eu espero que você não apareça de all star, calça jeans e camiseta numa formatura ou casamento…
Para manter o glamour da suas produções, há algumas lojas no Brasil que já trabalham com gargantilhas de renda, veludo e outros materiais mais finos. Não vou fazer propaganda da concorrência, hehehehe. Basta procurar no Google ou mesmo no orkut.
Dica da Mme. Mean: use e abuse de gargantilhas e colares bem trabalhados com corpetes e corsets. Provavelmente nada combina tão bem.
Au Revoir































