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Arquivo de July, 2009

31
07 09
Arquivado em Fotografia
Postado por Isa F. | { 3 comentários }

“Irina Ionesco é Francesa, nascida em Setembro de 1935 e é filha de imigrantes romenos. Fugiu de casa ainda moça, foi encontrar abrigo em um circo onde foi domadora de cobras, bailarina e alvo de atirador de facas. Em meados dos anos 60, um acidente mudou seus rumos e Irina aproximou-se das artes plásticas através da pintura. É justamente deste momento seus primeiros trabalhos, munida de uma manual Nikon, pôs-se a buscar nas formas dos outros corpos o seu próprio espírito.

Ionesco eleva o erotismo à mais cortante intimidade, a um aterrorizante segredo do qual não se pode fugir: a sedução feminina, a sedução letárgica. Uma sedução que já não diz respeito às formas ou à idade das fotografadas. Sua sensualidade provém também de viagens oníricas, de doçuras, florestas encantadas e maciez, brincadeiras ingênuas numa trama de provocações. Os adjetivos são inesgotáveis, a reflexão é um delírio.

Irina Ionesco teve sua primeira exposição em 1974 na Nikon Gallery de Paris, depois em Londres, Holanda, Nova Iorque, e então o mundo em exposições itinerantes que ainda hoje se realizam. Trabalha hoje com editoriais de moda mas não esconde que não é das suas tarefas favoritas. Vivendo em Paris, ainda hoje Mme. Ionesco produz e, distante da fotografia digital, busca novos encontros.

Em Julho, quando esteve no Brasil expondo na galeria do SESC Copacabana, concedeu uma entrevista à revista Época onde revelou seus planos de um novo projeto; “um trabalho inspirado em Alice no País nas Maravilhas, com uma menina de oito anos”. Para ela não é uma afirmação chocante, para os que conhecem seu trabalho, é um novo mergulho no controverso. Um mergulho que atende pelo nome de Eva…”

Eva sob o olhar de Irina Ionesco: dos 5 aos 10 anos

“As imparidades de sua trajetória se refletem num olhar apurado sobre o que de insondável há na alma feminina por uma tangente de sensualidade. Mesmo antes de sua primeira exposição, em 1975, a fotógrafa francesa Irinia Ionesco já havia despertado o interesse de um grupo particular de artistas; mas seu êxito – paradoxal – e aclamação viriam de seu maior escândalo; a exposição Eloge de Ma Fille entraria na galeria Nikon de Paris e era esse mesmo olhar fetichista agora voltado para ela, Eva Ionesco… dos 5 aos 10 anos, em ensaios eróticos.

Segundo Irina, a proposta que originou a série de fotografias surgiu da própria Eva; eram sem dúvidas anos muito diferentes dos nossos, de uma busca e aceitação da liberdade sexual, ou ainda da liberdade dos corpos. Como mulher e artista, fruto de sua época, não pareceu estranho à francesa que Eva também pudesse ser alvo de fotografias simbolistas e que fosse focada exatamente como as outras mulheres, adultas, alvos das lentes de Irina.

As datas divergem – uns falam em 4 a 11 anos, outros de 5 a 10 anos de idade; ficamos aqui com a segunda possibilidade por ser a mais encontrada nas fontes – mas, sistematicamente, ano após ano, a fotógrafa utilizou sua filha como modelo em fotografias branco & preto de extremo apuro e ousadia. Ousadia até maior que a encontrada nas demais imagens obsessivas produzidas por Ionesco, muito maior. Eva aparece em nus, mas o efeito aterrador é o mesmo se ela é capturada vestida, como isso? É intrigante.

Assim a menina Eva surge como criança-mulher nos mesmos ares sombrios, ornada com dezenas de jóias ou bijuterias ordinárias, artefatos que falam deste mundo particular onde convivem delírio, morte, sensualidade e paixão. Seria quase uma entidade, um totem, um mito… Mas Eva era e é real: o choque é inevitável. Comunidade artística e opinião pública se puseram maciçamente contra Irina; a primeira – que já classificava seu trabalho como um desfile de maus gostos – considerou a coleção como o ápice dos absurdos, aquilo simplesmente não era arte. Já o público, numa oposição já esperada e recorrente, a execrou alegando uma falta explícita de moralidade.

Nada disso, logicamente, impediria Eloge de ma fille de entrar para a história da fotografia e do erotismo. Mesmo hoje, em que vivemos tempos de tão intenso tráfego de material de pedofilia, tempos que talvez nos turve a visão para certos aspectos fascinantes do bizarro ou do cruel, as fotografias que Irina Ionesco fez de sua filha permanecem inadvertidamente cheias do mesmo conceito, da mesma busca pela natureza do ser mulher vista através dos anos que passam para Eva e a revelam tão ou mais terrível (e uso terrível no sentido de espantoso) que a Lolita de Nobokov.”

FONTE:
www.blog.uncovering.org
www.google.com.br


29
07 09
Arquivado em Moda
Postado por Mme. Mean | { 6 comentários }

Bonjour, mes enfants obscurs

Muito embora o corset tenha entrado para o imaginário popular como uma peça essencialmente feminina, já foi também de uso recorrente entre os homens, principalmente os nobres. O objetivo era alcançar uma silhueta correta, de coluna alinhada e peito estufado, que correspondesse aos ideais de masculinidade. Hoje, o corset masculino terminou associado a uma idéia mais fetichista e é comum encontrar modelos que pendem pare essa tendência em lojas estrangeiras. Há, também, muitos crossdressers que procuram no corset uma silhueta mais feminina. Aqui vão, então, algumas imagens de corsets masculinos.

Au Revoir


15
07 09
Arquivado em Moda
Postado por Mme. Mean | { 7 comentários }

Bonjour, mes enfants obscurs

No tópico sobre o Dia do Rock, a Maiara veio com uma pergunta interessante, que casa bem com o tema dos Crimes da Moda Gótica: em que ocasiões e como usar meia arrastão?

No imaginário coletivo, a meia arrastão evoca tanto a idéia de sensualidade quanto a de rebeldia – e tudo depende da roupa que vá acompanhá-la. Depende, também, da abertura da trama da meia.

TRAMA ABERTA

É quase uma rede de pesca (rsrsrsrs) e tem a desvantagem de marcar o corpo. Para as meninas mais gordinhas, é o pior modelo do mundo, porque acaba criando gomos na pele e nos deixando bastante parecidas com sacos de batata. Por ter essa abertura toda na trama, esse modelo não deve ser usado com a sua minisaia jeans favorita. Dá para improvisar alguns looks bem legais com essa trama se você usar uma meia-calça ou legging colorida por baixo. Eu não aconselho o uso de coturnos ou qualquer tipo de bota nesse caso. Seja criativa: sapatilhas de tecido, melissas coloridas, um sapato social (por que não?)…deixe sua imaginação fluir.

TRAMA FECHADA OU PEQUENA

É o tipo mais comum de ser encontrado, que vem em versão meia-calça, 7/8, 3/4 e até mesmo adoráveis soquetes. A trama fechada marca menos, mas ainda assim deve ser usada com cuidado. Fica bem usada sozinha ou sobre uma meia ou legging colorida. Você pode usar este modelo com coturno ou outro tipo de bota sem grandes problemas, mas há de se tomar cuidado com a relação entre comprimento da saia/short e a sua altura. Se você é baixinha, a melhor opção ainda seria o uso de uma meia preta opaca, que ajuda a alongar as pernas. Mas se quer investir no arrastão, prefira usar uma sapatilha ou melissa mais altinha, que não fatia as pernas como o coturno faz.

USOS & ABUSOS

A meia arrastão é o tipo de coisa que pode lançar qualquer produção ao espaço sideral ou ao núcleo da terra. Por natureza, ela nos remete a uma imagem de sensualidade madura e feroz, típica das vamps do cinema. Por outro lado, temos a imagem da rebeldia, com sobreposições em camadas e, claro, a meia de trama fechada com indefectíveis rasgos.

Eu não aconselho o uso de meia arrastão à luz do dia em ambientes de trabalho, especialmente nos corporativos. Mesmo para ambientes mais descontraídos, como escola e um passeio com os amigos, é o tipo de coisa que vai mandar contra você. Não abre mão dela? Invista numa bela coleção de meias-calças (como é o plural correto disso, OMG?) coloridas, que você pode até tingir em casa – e descobrirá como por aqui mesmo, mas em outra postagem. Em algumas lojas, não me perguntem quais nas cidades de vocês, é possível encontrar um tipo de meia arrastão que tem uma trama tão miúda que é preciso observar de muito perto para perceber que não é uma meia convencional. Se você der a sorte de encontrar uma dessas, aproveite e use no dia-a-dia, que não terá lá grandes problemas.

À noite, para as pernas longas e finas, acho que dá prá usar tranquilamente com um short jeans mais larguinho, de barra desfiada, com cara oitentista; nesse caso, a meia com alguns rasgões fica até mais interessante.

Colocar a meia arrastão por baixo de uma calça jeans rasgada também pode ser legal, porque é algo inusitado.

Meias coloridas, 3/4, podem ser usadas sobre o arrastão ao lado de uma mini-saia preta – mas tenha cuidado com o vinil – e ajudam a criar uma imagem mais “menina”, por assim dizer. E ficam ótimas com sapatos mary jane.

Lembre-se que a mini-saia jamais deve ser tão curta que você precise ficar puxando a barra dela enquanto anda para proteger suas nádegas ou outras partes. Isso é simplesmente deselegante. Eu juro que mais tarde faço um post só para falar dessa peça traiçoeira.

Eu sei que isso é quase desnecessário, mas não custa lembrar. Mesmo à noite e com uma meia de trama fechada, o arrastão não livra ninguém de uma boa depilação antes de sair de casa – e sim, eu já vi gente que não seguiu esse conselho.

Muito cuidado com blusas de trama arrastão, as famosas fishnets. Definitivamente não vão bem se você já está vestindo uma meia de mesmo padrão.

INSPIRE-SE:


11
07 09
Arquivado em História, Mitologia
Postado por Mme. Mean | { 6 comentários }

Segundo um mito japonês, as deusas Uzume (Alegria) e Amaterasu (Sol) são irmãs que nunca mais se separaram.

Certa vez, o deus Susano-o, irmão de Amaterasu, fez uma brincadeira de mau gosto e matou um cavalo sagrado que pertencia à irmã. Mais do que isso, atirou a cabeça do cavalo sobre o quarto de tear da deusa. Amaterasu ficou tão assustada que fugiu para uma gruta – levando consigo toda a luz do mundo.

Durante a sua ausência, o caos se instalou na terra. Demônios e animais venenosos corriam livres, destruindo toda a criação que os deuses haviam tido tanto trabalho para erguer. Por isso, 800 deuses se reuniram, decididos a tirar Amaterasu da gruta.

Na árvore que ficava na entrada da gruta, penduraram um grande espelho e enfeitaram-nos com flores e ervas aromáticas, mas Amaterasu não saiu. Acenderam fogueiras que imitavam o brilho do sol e fizeram música, mas Amaterasu não saiu. Por fim, Uzume teve uma grande idéia: subiu em uma pedra e começou a fazer a dança mais ridícula e extravagante que já se vira. Os deuses começaram a rir muito alto e bater palmas. Curiosa, Amaterasu começou afastando a pedra da entrada da gruta, só para espiar. Mas sua curiosidade era tanta que ela abriu a gruta e ao sair, se viu refletida no grande espelho pendurado na árvore. Ficou fascinada pela própria beleza e pelo brilho de sua luz e esqueceu seu medo e sua dor. Entendeu, então, que a partir daquele dia jamais deveria deixar o céu novamente.


10
07 09
Arquivado em Moda
Postado por Mme. Mean | { 8 comentários }

Bonjour, mes enfants obscurs

A matéria a seguir trata da relação entre moda e fetichismo, tendo, portanto, algum conteúdo referente à sexualidade humana, mas não contém pornografia. Se você tem menos de 18 anos e/ou se sente particularmente ofendido por este tipo de material, por favor, não prossiga. Não seremos responsabilizados pela curiosidade juvenil ou por possíveis ofensas.

A moda, como qualquer outra forma de expressão cultural, produz significados, constrói sentidos, posições de sujeitos, identidades individuais e grupais. Assim, pode ser entendida como reflexo de uma sociedade em determinado período histórico, como forma de expressão material da personalidade e também como fantasia. Sendo fantasia, funciona como ferramenta para expressar toda forma de desejo e sonho, ora lúdicos, ora esperançosos, ora sexuais.

Não é novidade para ninguém que vivemos numa época em que quase todos os grandes tabus do sexo foram quebrados. Pelo menos em relação à moda feminina. Foi-se o tempo em que os micro-shorts ou saias eram condenados pela sociedade, em que as mulheres deviam esconder o corpo, como se uma leve exposição de pele fosse um prato feito de tentação do diabo.

Corsets, vestidos ultra justos, cinta-liga, correntes, couro e vinil há tempodeixaram de ser uniformes pura e exclusivamente sado masoquitas e fetichistas . Hoje integram o mainstream da moda global como ferramentas que traduzem poder, sedução e sensualidade. Pense em Betty Page ou nas fotos ultra-sensuais e eróticas de Helmut Newton. Nessa estética meio noir, cheia de mistério, mas também cheia de erotismo e sensualidade.

Há aproximadamente três décadas , o culto a determinadas peças do vestuário oupartes do corpo passou a influenciar a moda convencional. Tudo começou lá pelo fim dos anos 70, quando o punk aflorou com os Sex Pistols, que tinham figurino assinado por ninguém menos que a grande dama da moda, Vivienne Westwood. Era um dos resultados da liberação sexual que ocorreu nas décadas de 60 e 70, e que encontrava na moda uma poderosa ferramenta de protesto e difusão de ideais.

Salto agulha, couro ou vinil preto, bodysuits (também conhecidos como catsuits), roupas em látex, corsets, botas e uma variedade infinita de acessórios que fazem parte do universo fetichista foram aos poucos ganhando espaço entre roupas tidas como mais convencionais.

Essa mudança se deve muito a estilistas como Vivienne Westwood, Jean Paul Gaultier, Thierry Mugler e Claude Montana, que nos anos 80 chocaram o mundo com suas coleções ultra- sexuais, cheias de elementos fetichistas, utilizada s como forma de provocação, mas acima de tudo, como roupa para vida real.

Vale lembrar que foi nos anos 80 também, com o boom das academias de ginástica, que teve início a todo esse endeusamento do corpo, hoje no seu ápice . Tendo o universo fetichista como inspiração, só que o traduzindo de forma bem menos chocante e muito mais sensual, Azzedine Alaïa nos anos 80, junto com Hervé Léger na década seguinte, apresentaram roupas que literalmente moldavam o corpo humano. Toda e qualquer curva era marcada e ressaltada pelos vestidos ultra justos (confeccionados a partir de tiras elásticas, no caso de Léger), dando ao corpo feminino uma extrema e altíssima dose de sensualidade.

Segundo o editor de moda da Playboy, Ricardo Oliveros, “o fetiche está ligado a alguma forma de poder e está extremamente conectado a algum objeto e ao sentido de proibido”.

A visão e o desenho de styling de Carine Roitfeld – hoje editora da Vogue Francesa – para a Gucci, de Tom Ford, também tiveram extrema importância para toda essa estética. Juntos fizeram algumas das campanhas mais eróticas e sensuais de todos os tempos. Isso sem contar nos trabalhos dos fotógrafos Terry Richardson e Mathias Vriens.

Recentemente, com a volta dos anos 80 e o prolongamento dos eternos 90,vimos várias coleções explorando diversas formas de fetichismo. Para o verão 2008, a Dolce&Gabbana investiu em looks sintético s, com direito até a cinturões, corsets e algemas de metal. Marc Jacobs, na mesma temporada, mostrou uma excelente coleção, cheia de recortes e transparências, que revelavam partes mais íntimas do corpo. Já para o inverno 2008, a Prada investiu nas rendas como forma de brincar com a sexualidade e castidade, característica que ficou ainda mais clara no seu desfile masculino.

Contudo , essa estética pornô que acompanhou todo o legado de uma era no fim do século XX, não resistiu por muito tempo, acabando por se tornar v ítima de seu próprio produto. Os mesmos acessórios utilizados uma vez para enaltecer o corpo e ressaltar suas formas, agora acabam por ocultá-lo .

Hoje, a cultura de massa, e mais ainda, a do consumo, consolidaram -se por completo, afetando o imaginário sexual dos indivíduos. Sobre isso, Valerie Steele, autora do livroFetiche , afirma que o fetichismo na moda também pode ser relacionado aos produtos de luxo, que transformam roupas e acessórios em verdadeiros objetos de desejo.

É um pouco de afirmação sobre as idéias de Baudrillard, segundo as quais, a serviço do design, o fetiche controla o corpo. Não é mais o corpo que é enaltecido pelo salto agulha, ou pelo corset, as próprias peças ganharam relevância em prol do corpo.

Como se o próprio ser humano se submetesse àquele ideal de poder e dominação que o fetiche carrega . Os acessórios e roupas utilizados uma vez para dar poder e dominação acabam subvertidos para dominar o próprio corpo. Não é à toa que hoje uma das formas fetichis tas que mais crescem no mundo são as body modifications ou alterações corporais.

Daí que hoje já podemos presenciar um começo de busca por um novo fetichismo. Não que aquele como conhecemos esteja em desuso, mas perdeu um pouco de seu sentido, dada sua massificação.

Na moda, essa estética vem sendo trabalhada por alguns estilistas que ainda não afloraram ao mainstream e que, graças a Deus, nem o almejam. Os belgas Bernhard Wilhem e Walter Van Beirendonck (o look da foto ao lado pertence à sua coleção “Sexclown”) são dois deles, e provavelmente os mais promissores. Ambos sempre tiverem o sexo bem presente em suas coleções, mas agora trabalham com mais vigor sobre o tema, apresentando idéias sem o menor pudor – como devem ser – e também propondo novas idéias sobre sexualidade e padrões estéticos.

Esta matéria, assinada por Luigi Torre, foi originalmente publicada na edição nº 18 da Revista Catarina e está disponível neste endereço.

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